Tudo começa com a educação

Criei um grupo para discussão on line sobre as mídias digitais. Já tivemos três chats. O último deles foi  sobre Opinião Pública.

O chat é quinzenal e reúne profissionais e estudantes do Brasil todo. É a oportunidade de discutirmos o assunto e reciclar conhecimentos, já que não podemos nos deslocar de nossas cidades por vários motivos.

Em um bate papo de mais de uma hora, nós discutimos sobre a falta de atitude de nossa população que engole o que a mídia ou os formadores de opinião despejam como verdades universais.

Chegamos a conclusão que a base para se criar senso crítico e vontade de brigar por seus interesses começa e termina na sua base educacional. Nossa população, via de regra, é passiva demais e aceita os argumentos e pontuações sobre moda, comportamento e política no mesmo balaio.  Não incentivamos que cada um assimile o fato e tenha a sua versão dele.

No ensino de antigamente, tínhamos matérias como OSPB, Educação Moral e Cívica, matérias que achávamos chatas, mas que possibilitava uma certa iniciação na abertura de consciência sobre os fatos.

Hoje em dia, generalizando muito é claro, essa ideia em massa migrou para as redes sociais. É comum vermos a participação de uma grande maioria, ainda como espectador. Uma pequena minoria se destaca nas mídias sociais com algo relativamente questionador.

São pessoas que possuem a sua própria opinião e usam as redes de maneira que elas ecoem por seus seguidores. O caso recente é o Cala a boca Galvão, uma ação de alguém no twitter, que fez com que a hastag #calabocagalvao ficasse em primeiro no Trending Topic mundial  e se tornasse assunto nos twitters do mundo todo.  O caso foi tão movimentado que  foi capa da Veja no último sábado, ultrapassando a morte de Saramago como destaque na capa.

Não vou discutir aqui, a demora da Rede Globo em perceber a movimentação e criar a estratégia de Galvão levar o caso na boa em entrevista com Tiago Leifert, jovem jornalista e usuário das mídias sociais. Seria caso para outro post.

O fato é que se nos movimentamos para divulgar uma brincadeira com Galvão Bueno, porque não nos movimentamos em causas como melhoria do ensino, mudança na postura passiva de nossos eleitores entre outras? Simplesmente porque as pessoas não tem interesse e não sabem que com conhecimento podemos mudar os quadros lamentáveis de nosso país.

Precisamos resgatar a autoestima dos nossos professores, melhorar efetivamente o ensino e criar uma juventude pensante e com boa cultura. Viver de mulheres frutas, funk e diversão não trará um bom futuro para nosso país. Boa Educação já!

Marcia Ceschini –  @redatora do INPG BLOG

5 Responses to “Tudo começa com a educação”


  1. 1 Teresa Pitombo junho 22, 2010 às 9:59 am

    Marcia,

    Considero a sua colocação de suma importância para que possamos resgatar e/ou evidenciar aquilo que ficou esquecido em nome de uma educação mais moderna e menos repressora.

    Talvez não se lembre, mas esse era o “bordão da década de 70” sobre a educação. Momentos difíceis aqueles, mas em nome desses momentos ficaram perdidos no passado aquilo que considero como de fundamental importância que é: o bom senso, polidez, respeito ao próximo, educação. Todos esses valores e comportamentos deram lugar ao egoísmo, onipotência e excesso de confiança entre outros, tão característico dos novos tempos.

    Acredito que a educação formal esteja sim em decadência por vários pontos, desde a desvalorização do papel social que tem o educador até o fator econômico por problemas de remuneração. E uma coisa puxa a outra.

    E aonde os pais entram nessa história? Junto com a educação formal. Esses pais em nome de uma “liberdade” deixaram de exercer o seu real papel, de educadores e norteadores juntamente com a escola.

    Sou uma eterna romântica, acredito nas pessoas e na educação, por isso descobri que o meu papel para a transformação é um trabalho de formiguinha dentro de sala de aula tentando mudar alguma coisa, como educadora que me sinto e sou.

    Abraços

  2. 2 Marcia Ceschini junho 22, 2010 às 10:20 am

    Teresa,

    Exatamente. Foi foi no cerne da questão. Precisamos de mais professores educadores, não apenas repassadores de receitas prontas e mastigadas.

    Nossos alunos deviam reaprender a pesquisar, a chegar nos teoremas, a pensar. Hoje é tudo muito mastigado e empurrado. Sou contra o tipo de ensino de hoje.

    Aqui em casa, fazemos de tudo para dar um bom ensino para o meu filho. Particular, claro. E além da escola, conversamos com ele sobre tudo e de maneira clara.

    Somos preocupados em deixar ensinamento e um homem de bem para o futuro.

    abraços

  3. 3 Alexandre Costa junho 22, 2010 às 12:42 pm

    Márcia,

    O texto reflete bem a discussão do último #paposemrede.
    Com certeza, quando a educação for encarada como base de todo o processo de desenvolvimento e crescimento, nosso país será melhor.
    Nossos alunos precisam aprender a pensar e não a esperar a fórmula pronta para desenvolver suas atividades. E, isso acontece com leitura, pesquisa, etc.
    Parabéns pelo bom texto e pela discussão. Agora aguardar o próximo chat.
    Abraços,
    @alexandre_amc

  4. 4 casamater junho 24, 2010 às 7:31 pm

    Oi Alexandre,

    Temos que fazer a nossa parte e batalhar para uma educação adequada para nossas crianças, o futuro do país.

    Teremos chat na semana que vem, vamos agendar. Até lá

    Abraços

  5. 5 Herman Fonseca junho 26, 2010 às 9:34 am

    Concordo plenamente com sua colocação. É visível o quanto a população ainda é alienada, a ponto deconduzir uma emissora a bater recordes de audiência e de ligações, acompanhando um reality show que não traz nada de instrutivo.
    Agora se for para acompanhar a política do nosso país, acompanhar um programa eleitoral para sabermos em quem realmente votar com certeza não chegamos nem perto desses recordes de audiência.
    Devemos tomar conciência de que juntos somos muito mais fortes.

    Abraços e parabéns pela reflexão.


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