A Copa da Jabulani, do Polvo e da Fúria

Chegamos ao final de mais uma Copa do Mundo da FIFA, a 19ª edição que contou com inúmeras curiosidades, e por que não falar da fauna africana, as “zebras” apareceram durante a Copa.

A Copa gerou um grande impacto sócio-econômico no continente africano, e foi fantástica a forma como o país sede, África do Sul, se preparou, ergueu cinco lindos novos estádios de futebol, pois sob governo do Apartheid, os estádios foram construídos para se jogar o rúgbi e o críquete, esportes mais elitizados e para a população branca.

Uma Copa digital, cheia de experimentações, inovações, transmissões em HDTV e 3D, Internet, celular, valia de tudo para mostrar uma Copa sem o brilhantismo do futebol arte, com uma pequena média de gols, apenas 2,27 gols por partida, 4 artilheiros com 5 gols cada um, erros crassos da arbitragem, e sempre um espetáculo a parte.

Na primeira fase, quando as 32 seleções entraram em campo, fomos surpreendidos por alguns fatos que ninguém imaginava, pela primeira vez na história das Copas, a anfitriã, África do Sul, foi eliminada na primeira fase.

Outro fato inédito e triste foi ver a eliminação da atual campeã, Itália, com um futebol muito ruim da “Squadra Azzurra” e da vice-campeã, França, que durante a Copa se esfacelou como grupo, brigas entre auxiliar técnico e jogadores, falta de liderança do técnico Raymond Domenech e fair play por não ter cumprimentado o técnico Carlos Alberto Parreira após o jogo África X França, além da demissão do capitão, Anelka, e a saída inesperada do patrocinador da seleção, o Carrefour, uma atuação lamentável dos Les Bleus.

Em quase todos os jogos, tivemos a atuação da jabulani, que significa “celebrar” em um dialeto africano, a bola especialmente desenvolvida pela empresa Adidas para a Copa, muito criticada pelos jogadores antes e durante os jogos, e que na final, foi substituída pela jobolani, além das benditas Vuvuzelas, que pareciam ter vida própria em todos os jogos, dentro e fora dos estádios, com seu som ensurdecedor, que não sentiremos falta alguma.

Nas oitavas de final, vimos alguns times que surgiram com muita força e foram indicados pelos especialistas como as surpresas na competição:

  • Estados Unidos
  • Eslováquia
  • Japão
  • Paraguai

Os mais céticos, apontavam as seleções tradicionais, já campeões do mundo em outras Copas, como favoritas:

  • Brasil
  • Argentina
  • Alemanha
  • Uruguai
  • Inglaterra

Por fora, tínhamos alguns times badalados e, conseqüentemente, candidatos ao título, também:

  • Holanda
  • Espanha
  • Gana

Mas o futebol não é uma ciência exata, matemática e estatísticas não entram em campo, raça sim, vale até trocar um gol certo pela expulsão do atacante do time, como fez o Uruguai com Suarez e assim Gana ficou na trave, após o pênalti desperdiçado pelo grande jogador Asamoah Gyan.

O Uruguai após longos 60 anos está de volta à elite do futebol mundial, garantindo seu lugar na semifinal.

Assistimos incrédulos ao naufrágio do nosso humilde barco brasileiro diante do galeão Holandês, não era uma “laranja mecânica”, mas eles foram eficientes e se aproveitaram do nosso descontrole emocional, ausência de poder de reação e falta de um bom banco de reservas.

Tudo bem que o dia seguinte para nós brasileiros, não foi tão ruim assim, pudemos acompanhar o massacre de 4 X 0 do fussbal alemão em cima dos hermanos argentinos, senti minha alma lavada por um minuto e descobri pelas vuvuzelas e fogos de artifício que o Brasil possui a maior colônia alemã fora da Alemanha. Fantantástico! Alemanha foi à semifinal pela 3ª vez seguida (2002, 2006 e 2010), ninguém queria jogar contra eles.

E os paraguaios heróicos, caíram diante do futebol espanhol de forma digna, a Espanha com um futebol bem jogado transformou o grande estádio de Joanesburgo em um imenso tabuleiro de xadrez.

E assim, chegamos às semifinais da Copa, na primeira a Holanda, a “Laranja Mecânica”, contra o Uruguai, a raça materializada em Lugano, Forlán e Suarez, não tinha bola perdida, não havia dividida que não valesse à pena, em um jogo emocionante, deu “Laranja” e os uruguaios ficaram com a decisão de 3º e 4º lugar contra o perdedor de Alemanha e Espanha.

Na segunda semifinal, estava de um lado os favoritos Alemães, o melhor ataque da competição, com o jogador Miroslav Klose próximo de bater o recorde de Ronaldo Fenômeno, como artilheiro de todas as Copas, do outro a Espanha, “La Furia”, que chegou e neutralizou o ataque alemão de forma virtuosa com seus passes mágicos, e como o Polvo Paul havia previsto, a vitória espanhola frente aos poderosos alemães, em um placar magro é verdade, 1 X0, igual ao placar da Eurocopa em 2008, quando os espanhóis sagraram-se campeões sobre os alemães. Emocionante!

A final inédita na história das Copas, Holanda X Espanha, com 02 times que nunca haviam sido Campeões do Mundo, soou como cruzado de esquerda para as seleções consagradas que ficaram pelo meio do caminho.

A decisão do 3º lugar foi digna de uma final de Copa do Mundo, jogo disputadíssimo entre alemães e uruguaios, a Alemanha se aproveitou de algumas falhas da defesa uruguaia, e no último minuto de jogo, com placar em 3X2 para Alemanha, Diego Forlán, eleito o craque da Copa pela FIFA, bateu falta próxima da pequena área alemã e a jabulani caprichosamente bateu na trave! O juiz apitou final de jogo e a Alemanha garantiu o terceiro lugar, como em 2006 e a seleção uruguaia voltou pra casa ovacionada pela excepcional campanha.

No domingo, 11 de julho de 2010 estava marcada a finalíssima, Holanda e Espanha, a Espanha em seu melhor momento no futebol, clubes renomados, futebol de ponta, a Holanda desejando acabar com o estigma de vice-campeã, já havia estado em duas finais, 1974 e 1978 e não conseguiu levantar o caneco.

Em um jogo disputado taticamente, nervoso, cheio de faltas, diga-se de passagem, a final de Copa mais violenta que o mundo já viu, depois de oportunidades perdidas pelos dois lados, Robben pela Holanda e Villa pela Espanha, em uma jogada rápida, a bola sobrou para o espanhol Andrés Iniesta, meia habilidoso do Barcelona que não perdoou e chutou pro fundo do gol de Maarten Stekelenburg, goleirão holandês, era o fim de uma era de invencibilidade da Laranja, que datava de 2008.

E assim, a história foi escrita, ou prevista como queiram pelo Polvo Paul, que não errou nenhuma previsão neste mundial, a Espanha entrava para o rol de campeões em Copas, de forma merecida, o Polvo era festejado, vendia réplicas para crianças e adultos e anunciou sua precoce aposentadoria para garantir a integridade de suas previsões e evitar erros futuros.

Parabéns à Espanha, com um futebol eficiente e decisivo, mostrou garra, poder de fogo e de recuperação, perdeu o jogo de estréia para Suíça e se redimiu de forma mágica, sendo campeã da Copa do Mundo da FIFA 2010. Olé!

E atingindo o topo, a 1ª colocação no Ranking de seleções da FIFA, seguida pela Holanda em 2º e pelo Brasil em 3º. Isso mesmo, por enquanto, não somos mais os melhores do mundo.

Mudando de Pato pra Ganso, agora é hora de recomeçar, escolher um novo e experiente técnico para a seleção canarinho, proposto a realizar um sério trabalho de renovação, de formação de base com garotos prodígios e novos talentos do nosso futebol.

É hora de planejar a Copa de 2014, para fazermos bonito, como os africanos fizeram apesar de suas dificuldades, garantirmos a infra-estrutura necessária e a segurança de todos envolvidos.

Com o apoio destes mais de 190 milhões de torcedores, só terá uma responsabilidade: colocar um grito em nossa garganta e incrementar a lendária camisa amarela com mais uma estrela.

HEXA neles Brasil. Eu confio e sei que é possível.

Um abraço e até a próxima!

Mário Matos – Aluno do curso de MBA em Gestão Empresarial INPG Berrini e do curso de Didática e Prática do Ensino Superior.

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