O Novo Acordo Ortográfico

Após diversas tentativas de unificar a língua portuguesa, a CPLP (Comunidade dos Países de Língua Portuguesa), formada pelos países: Brasil, Portugal, Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, Cabo Verde, Timor Leste e as ilhas de Príncipe e São Tomé, passou-se a vigorar, nos chamados países lusófonos, a partir de 2009, as novas regras ortográficas. Estas modificações têm a finalidade de promover a união e a aproximação dos países pertencentes à CPLP; permitindo – como vantagens – o enorme custo econômico e financeiro na produção de edições diferentes de dicionários, livros didáticos e literários (BR e Portugal). Em janeiro de 2012, todos deverão aplicá-las em textos empresariais e acadêmicos.

Com a adoção por todos do Acordo ortográfico, haverá: ações de difusão e fortalecimento da língua portuguesa; programas de formação e de aperfeiçoamento para professores de português como segunda língua; projetos de educação a distância; produção de livros e materiais educativos adotados em qualquer país lusófono e reproduzido em outro país ( cabe saber que o Brasil tem livros de gramática e dicionário próprios, diferenciados dos países colonizados por Portugal); caminho aberto para entendimento entre Brasil e Portugal sobre a certificação comum de proficiência em língua portuguesa para estrangeiros. O que se espera é que haja expansão e fortalecimento da cooperação educacional em língua portuguesa; aproximação das culturas; uma política linguística de bases comuns na CPLP e bom funcionamento do Instituto Internacional da Língua Portuguesa, já em exercício em Cabo Verde.

É importante que as pessoas não tenham aversão às novas regras que, em sua grande maioria, incidem na acentuação gráfica e no emprego do hífen. Outro fator a ser considerado é que a reforma ortográfica refere-se à escrita e não à pronúncia; assim sendo, a pronúncia não foi afetada.

Portanto, vamos, então, às regras:

– alfabeto: 26 letras (acréscimo do K, W e Y): ABCDEFGHIJKLMNOPQ RSTUVWXYZ;

– letras minúsculas nos nomes de meses, estações do ano, dias da semana e pontos cardeais:janeiro, verão, segunda-feira, sudeste, etc.;

– emprego facultativo da letra minúscula em citações bibliográficas: Crime e Castigo ou Crime e castigo;

– formas de tratamentos e reverências (axiônimos) de nomes sagrados que designam crenças religiosas (hagiônimos): facultativo o; uso de minúscula: Doutor Roberto ou doutor Roberto; Santa Isabel ou santa Isabel

– nomes que designam domínios do saber e formas afins é facultativo no uso de minúscula: Direito ou direito;

– consoantes não pronunciadas eliminadas em Portugal, pois, aqui, no Brasil, já foram retiradas em 1904. ex. acção, ação; direccão, direção. Pode-se escrever aspecto ou aspeto.

– uniformização dos sufixos -iano e –iense (em vez de –ano e –ense): acriano (de Acre); zairiense (de Zaire).

– variação da conjugação de verbos terminados em –iar, provenientes de substantivos terminados em –ia ou –io (átonos): negocio ou negoceio; influencio ou  influenceio;

– logradouros públicos, templos e edifícios: uso facultativo de maiúscula inicial: Rua do Ouvidor ou rua do
ouvidor;

– manutenção, simplificação ou adaptação dos nomes próprios hebraicos de tradição bíblica (dígrafos -ch,-ph,-th): Baruch ou Baruc; Ziph ou Zif; Beth, Bete;

– substituição dos topônimos estrangeiros por formas vernáculas correspondentes: Milão, Londres.

  • Hífen: sim ou não?

Sem hífen:

– após o prefixo, o vocábulo inicia com “r” ou “s”:  dobram-se as consoantes: contrarregra, antissemita, antirreligioso, minirreforma;

– quando o prefixo termina com uma vogal e o vocábulo que o segue começa com vogal diferente:extraescolar; autoestrada; antiamericano;

– quando o prefixo termina por “r”, seguido de vogal:
hiperacidez, interestadual, superinteressante;

– quando a palavra inicia por “e” ou “o”,
com os prefixos co,  re, pre, pro: cooperar, reeditar, preestabelecido;

– em compostos: perdeu-se a noção de composição:paraquedas, paralamas, infectocontagioso.

Com hífen

– quando o prefixo termina por “r”, seguido de “h” ou “r”:
superrealidade; superhomem;

– quando o prefixo termina com uma vogal igual à vogal que inicia o prefixo: arquiinimigo; microondas

– palavras compostas por  justaposição cujos elementos constituem uma unidade semântica e mantêm uma tonicidade própria; e em compostos que designam espécies botânicas e zoológicas : ano-luz, arco-íris, decreto-lei, guarda-noturno, azul-escuro, abaixo-assinado, luso-brasileiro;

– com “ex” e “vice”: ex-marido, vice-diretor. Exceção: benfeitor;

–  com “circum-” e “pan-” são fonemas nasais + palavras iniciadas por “vogal”, “m”, “n” ou “h”: pan-americano; circum-ambiente;

– pré, pró, pós + palavras que têm vida autônoma ou significado próprio: pré-escolar, pós-graduação; pró-desarmamento;

– além-mar, aquém-fronteiras, recém-casados, sem-terra;

– “sub-” seguidos de: -h, -r, -b: sub-humano; sub-raça; sub-base; subumano, subepático (atualmente registram-se as duas formas); ab-rogar (revogar), ob-rogar (contrapor-se), ob-reptício (ardiloso, astucioso, doloso). Observe: abrupto, ab-rupto (as duas estão registradas).

  • ACENTUAÇÃO: sim ou não?

Sem acento

– sem trema (sinal de diérese): linguiça, sequência, freqüência, quinquênio;

– ditongos abertos (paroxítonas): ideia, assembleia, heroico, jiboia;

– o “i” ou “u” tônicos, após ditongo: fei-u-ra, Bo-cai-u-va; nas oxítonas, o acento permanece: Pi-au-í;

– os verbos (crer, dar, ler, ver) em encontros vocálicos: creem, deem, leem, veem;

– encontro vocálico “oo” hiato: voo, enjoo;

– acento diferencial sem acento: para, pelo, pólo.

Com acento

– depois de ditongos e quando proparoxítona: mai-ús-cu-lo, chei-ís-si-mo.

Duas formas

– formas verbais:“u” tônico precedido de “g” ou “q”: averigue /
averigúe; apazigue / apazigúe.

Facultativo

– palavras homógrafas (acento diferencial): nós amos (Pretérito perfeito), nós amamos (Presente);

– duas ortografias oficiais nos países lusófonos: econômico / econômico; prêmio / prémio; tênis / tênis.

Agora, vamos aplicar as regras ortográficas em todos os seus e-mails. Nada de dúvidas! Consulte sempre autores de prestígio na área. Quer uma sugestão? A Academia Brasileira de Letras (ABL) dispõe de um link: www.academia.org.br/ nossa língua/ busca no vocabulário.

Profa. Dra. Yêda Camargo – @professora do INPG

O Novo Acordo Ortográfico foi tema do Workshop ministrado no dia 16 de fevereiro, em São Paulo, no INPG Berrini


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